24 Oct

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Lyon-Café com Carlos Vieira : Teatro e Espetáculo – Uma linguagem sem fronteiras

  • Café RectoVerso, Lyon 6ème
  •  October 24, 2015   — October 24, 2015
  • 05:00 pm — 06:00 pm

O segundo encontro de “Lyon-Café com…” organizado pela Delegação de Lyon da AGRAFr teve lugar no dia 24 de outubro 2015 e teve como orador convidado o ator e encenador Carlos Vieira. O evento contou com a presença de uma vintena de participantes num ambiente intimista e emocionante.

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Aos 6 anos, e sem realmente saber explicar, Carlos Vieira sabia que queria seguir a carreira de ator. Se a vida assim lho mostrou, também assim o acompanhou. Desde muito cedo enverou pela carreira da representação.

Ser ator é uma necessidade, não uma escolha…

Para Carlos Vieira, ser ator é um serviço social, é estar ao serviço da sociedade na medida em que a personagem interpretada vai ser motivo de identificação por qualquer espetador. Considera que representar um papel não passa por uma valorização do ego ou de vaidade, mas de entrega a uma missão dando respostas às necessidades sociais. Para ele, o ator deverá ter consciência disso e ser capaz de se despersonalizar para com o outro (o espetador). Continua o seu discurso, comentando que para poder realmente representar uma personagem, para o ator, torna-se importante estar aberto e não julgar o carácter da personagem. Conclui que o ator empresta o corpo para ir ao encontro daquilo que a personagem pensa. Para Carlos Vieira, ser ator implica não só vestir a personagem, mas tornar-se a personagem, perder a sua identidade e ganhar a identidade da(s) personagem(ns), ser capaz de se despersonalizar, estar ao serviço da personagem, de tal modo que o ator convive com essa “personalidade” no seu quotidiano, tendo, por vezes, dificuldade em se separar. Na realidade a despersonalização é criar espaço para uma personagem, uma nova verdade. Carlos Vieira considera que muitas vezes é a própria personagem que escolhe o ator, aparecendo esta personagem no momento certo da vida do ator. Só assim, acreditando no que está a acontecer, poderá transmitir a mensagem ao grande público. O ator só cumpre a sua função se houver verdade na sua atuação. Isso é tão importante como ser capaz de realizar o gesto puro, a perfeita sintonia entre o corpo do ator e a personagem que interpreta.

Ser ator em França….

Carlos Vieira chegou a Lyon sem ser para ficar. Acabou por se inscrever num curso de formação noActing Studio, dirigido por Joëlle Sevilha, onde integrou o elenco da peça intitulada Le chapeau de paille d’Italie de Eugène l’Abiche. Ano de aprendizagem; aliás, como os que se seguiram, em que se descobre como ator numa outra língua. Considera uma decisão auto-provocada, em que a saída do seu espaço de conforto foi a maior das aprendizagens. Apesar das dificuldades conclui que o percurso tomado e vivido apresenta um saldo bastante positivo. Neste momento, visualiza o regressar a Portugal como uma sensação de deixar algo a meio, e por isso continua com vontade de se descobrir num contexto novo. Decidiu, assim, privilegiar trabalhos em França, procurando novos desafios e experiências, uma evolução na sua profissão, satisfazendo a sua vontade interior, de reaprender e de se (re)descobrir numa nova língua. Para Carlos, ser ator não é unicamente ganhar dinheiro, é sobretudo ter prazer na sua função.

O teatro como uma forma de expressão…

Vê o teatro como uma forma de comunicação, uma linguagem universal. No entanto, apesar desta universalidade, afirma que para um ator a maior dificuldade encontrada numa experiência deste género prende-se com a dificuldade em construir cumplicidade com a carga emotiva das palavras, uma vez que não sendo a língua materna essa relação com a palavra torna-se profissional. Para se alcançar uma emotividade com a fala numa língua estrangeira é necessário tempo e interiorização da palavra até lhe impregnar uma carga afetiva pessoal.

Da comparação entre televisão, cinema e teatro, ressalta a preferência pelo teatro pelo facto da existência de proximidade com o público e pelo cunho de uma maior relação com a palavra, consequentemente, uma maior emoção. Por outro lado, o teatro permite criar um autorreconhecimento e uma identificação.

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Projetos atuais e futuros…

Carlos Vieira fundou, com outros atores, a Associação Kane Collectif. Tem estado envolvido na encenação de uma peça intitulada Nothing Hurts de Falk Richter, que será exibida em fevereiro de 2016 no Teatro L’Uchronie, em Lyon. Iniciou também um Mestrado de Artes e Letras (Master Arts, Lettres, Langues).

Como projeto futuro, pretende criar um espaço teatro, onde atores de diferentes países e companhias se possam encontrar e representar peças de teatro em várias línguas.

Isabel Sebastião & Ana Antunes

O nosso próximo convidado de “Lyon-Café com...”  é Carlos Vieira, ator e encenador, que nos vai falar de “Teatro e Espetáculo: Uma linguagem sem fronteiras” no sábado dia 24 de Outubro 2015 às 17h no Café RectoVerso, Lyon 6ème.

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“Lyon – Café com…” consiste num encontro mensal com um orador convidado que nos falará sobre um tema, à volta de um café num ambiente informal e descontraído.  O objetivo principal desta atividade é permitir a troca de saberes, de experiências e estreitar relações, dando a conhecer personalidades interessantes de variadas áreas profissionais ligadas à comunidade portuguesa em França.
Esta atividade decorre uma vez por mês, ao sábado às 17h num café em Lyon.

A delegação de Lyon tem por objetivo dinamizar atividades da AGRAFr na região de Lyon.

Se quiseres fazer parte da comissão, ou apenas conhecer-nos envia-nos um email para :lyon@agrafr.fr

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