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Ana Rodrigues (Sociologia)

  •  November 21, 2015   — November 21, 2015
  • 12:00 am — 12:00 am

O que fazem os investigadores? Qual o seu papel na sociedade? Quais as descobertas mais importantes realizadas até ao momento e o que falta ainda descobrir? Estas são algumas das questões que tentaremos responder através de entrevistas a diferentes membros da AGRAFr, que fazem investigação em diversas áreas do saber, desde as ciências da vida às ciências sociais e humanas.

CQVI-ZP6H-KH8P-FQS2

Nome: Ana Roseira Rodrigues
Cidade (Portugal): Porto
Cidade (França): Paris
Formação Académica: Doutorada em Sociologia
Ocupação Atual: Técnica de Estudos de Mercado
Relação com a AGRAFr: Membro desde 2014

 

1- Podes explicar, para um público não especializado, em que consiste o teu projeto de investigação?

O meu doutoramento aborda como as instituições culturais se apresentam aos seus destinatários a partir do trabalho de terreno que tive oportunidade de desenvolver na Casa da Música, sala de concertos e instituição cultural de referência da cidade do Porto. Por outras palavras, o meu desafio foi o de compreender que discursos e imagens a Casa da Música desenvolveu sobre ela própria e como os comunica aos seusdiferentes públicos e utilizadores.

Atualmente, enquanto técnica de estudos de mercado, os conhecimentos de sociologia que fui adquirindo são aplicados numa ótica diferente da ótica da investigação académica; no âmbito das minhas atuais funções, devoconstruir inquéritos por questionário, definir amostras e gerir o trabalho de terreno, bem como fazer análise de dados, relatórios, artigos e outros documentos.

2- Como é o teu dia a dia e o que te motiva no teu trabalho?

Os meus dias passam a correr e são bastante diversificados: trabalho cinco dias por semana no centro de Paris e normalmente ocupo-me de vários projetos em simultâneo. Isto implica muito esforço de coordenaçãoentre as diferentes etapas de cada projecto e o ritmo de trabalho de cada membro da equipa que neles está envolvida. As duas razões que me dão mais motivação e satisfação neste trabalho são, por um lado, o fato de abordar temáticas muito diferentes, nomeadamente quando se tratam de projectos internacionais e, por outro lado, o fato de trabalhar em equipa. Aliás, todas as dimensões ligadas à gestão de projetos agradam-me particularmente e dá-me uma grande satisfação saber que contribuo para que tudo corra bem, a tempo e com qualidade.

3- Na tua opinião, qual o papel do investigador na sociedade?

O papel do investigador é fundamental pois ao revelarmos novas facetas da realidade estamos a permitir oavanço das sociedades. E isto aplica-se quer nas ciências naturais, quer nas ciências sociais! E assim, um dos maiores contributos do conhecimento é o de nos forçar a refletir e a pensar no nosso futuro, a questionar a realidade e a ir mais longe. Investigar, é sobretudo querer saber mais e não se contentar com respostas fáceis. Hoje e sempre, as ciências sociais são um importante meio para desenvolvermos a nossa capacidade crítica e exigência face ao meio que nos rodeia.

4- Na tua opinião, qual a descoberta científica mais importante para a humanidade feita até ao momento e porquê?

O Feminismo! Creio que em ciências sociais a relação com a “descoberta” científica é diferente da relação vivida no seio das ciências naturais. Não raras vezes, as conclusões dos estudos de ciências sociais só são consideradas como “descobertas científicas” muitos anos depois da sua formulação original, mas mais cedo ou mais tarde, surtem efeitos na consciencialização de muitos e problemas. Acho que a desigualdade de género é uma delas. Gostava que homens e mulheres pudessem efectivamente ter as mesmas oportunidades em todas as esferas da sociedade, sem claro, ferir as diferenças intrínsecas a cada um de nós enquanto seres humanos diferentes, complementares e complexos! E nesse sentido, os contributos do Feminismo são ainda muito actuais.

5- Qual a questão científica que gostarias de ver respondida nos próximos anos e porquê?

Isso é muito difícil de responder pois gostava de ver muitas coisas respondidas e sei ao mesmo tempo que as respostas são sempre provisórias, mas tentando conciliar uma perspectiva social mas também dita “científica”,gostava que ninguém tivesse que sofrer de problemas de saúde por causa da sua origem social

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